Paranense na elite do surfe é de Matinhos

Valterci Santos/Gazeta do Povo / A paranaense, que nesta semana surfou as ondas de Matinhos, se prepara para a primeira etapa do WCT, em Gold Coast, Austrália

Matinhos – Aos 4 anos de idade, Bruna Schmitz teve seu primeiro contato com o mar. A garotinha, nascida em Salto do Lontra, a 400 quilômetros do Litoral, chorou. Assustada com as ondas, logo correu para o colo da mãe.

Hoje, com 18 anos, ela mostra que não só superou o medo, mas que fez das ondas suas aliadas para conquistar o mundo. Surfista profissional, vai disputar neste ano o WCT, a série A do esporte. Depois de correr o WQS (a divisão de acesso) com mais de 200 atletas, ela será a primeira mulher paranaense a fazer parte da elite do surfe. Além dela, somente outros dois surfistas paranaenses já disputaram o WCT: Peterson Rosa e Jihad Kohdr.

O primeiro compromisso de Bruna já é neste mês. De 28 de fevereiro a 11 de março as melhores do mundo se enfrentam na bateria de estreia do Circuito Mundial 2009, em Gold Coast, Austrália. “Espero aprender muito com as surfistas mais experientes. A expectativa é surfar muito e aprender. Quero evoluir. E ficar entre as dez primeiras (o que a manteria no WCT de 2010) seria sensacional”, almeja.

Chegar até o topo, no entanto, exigiu dela esforço, muita dedicação e a renúncia de uma juventude normal. Ir a festas, perder noite em baladas? Bruna não sabe o que é isso. “Ela não bebe, não fuma e treina muito todos os dias. A vida dela é o surfe, por isso teve de abdicar de muita coisa para chegar ao topo”, diz orgulhosa a mãe, Fernanda Schmitz.

O dom para dominar a prancha é um mistério. Fernanda já tentou pegar onda, mas desistiu. O pai, Valdemar, é funcionário público do estado. Quem despertou a paixão dela pelas ondas foi o irmão mais velho, Alessandro. “Eu via meu irmão surfar e ficava fascinada”, relembra. A relação dela com a prancha começou aos 9 anos, quando começaram as primeiras manobras. “Daí em diante, com treinos diários de até oito horas, as coisas aconteceram naturalmente”, conta a mãe.

O mar, porém, nunca foi de rosas. “É um esporte que necessita de investimento no atleta, tudo é muito caro”, contou Bruna, que acredita que falta mais incentivo do governo para os atletas.

O estudo foi outro entrave. “A Bruna sempre se dedicou muito no colégio porque ela sabe que a vida de surfista é curta. Ela quer fazer faculdade de moda para criar uma marca de roupa com o nome dela. E ela tinha decidido que se não entrasse no WCT em três anos largaria a prancha e iria se dedicar ao estudo”, contou Fernanda.

Além de desfrutar da melhor fase da carreira, Bruna está muito bem na questão amorosa. Há dois anos ela namora o surfista francês Jeremy Flores. O relacionamento começou no Havaí durante um campeonato. “Trocamos telefone e e-mail e passamos a manter contato. Acabamos nos encontrando depois na Austrália, e aí foi”, disse um pouco tímida. Jeremy também corre o WCT e hoje está entre os 10 melhores do mundo. “Ele me ensina e ajuda muito. É uma inspiração para mim”, contou. Aliás, conta ela, o local onde o namorado vive foi o melhor pico em que já surfou. “Ele mora no arquipélago Nova Caledônia (território francês localizado na Oceania). Foram as melhores ondas que eu peguei”, disse.Fonte rpc

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