Comerciantes apóiam retirada de quiosques da orla de Matinhos

O trabalho coordenado pela Ação Integrada de Fiscalização Urbana (AIFU) – em parceria com a nova administração municipal de Matinhos – e que está retirando da orla vendedores ambulantes e quiosques irregulares, tem o apoio dos comerciantes que seguem a legislação.
O governo e a prefeitura estimam que cerca de 50 vendedores autônomos estejam instalados na orla sem autorização do Patrimônio da União – responsável pela manutenção da orla litorânea – e até mesmo sem o alvará da Prefeitura. A situação mais grave está no balneário de Caiobá, onde em alguns casos os vendedores possuem alvará e pagam uma taxa irrisória e anual de R$50,00 para trabalhar no calçadão, sem qualquer fiscalização e em condições precárias de higiene.

“Aos ambulantes que não residem em Matinhos já estamos orientando que não venham para cá porque terão dificuldade para obter documentação. A partir de agora, vamos regulamentar esta situação com o apoio do Governo e seremos rígidos na fiscalização. Somente o ambulante de Matinhos vai explorar a praia e não permitiremos mais esta poluição visual que tomou conta da orla”, declarou o prefeito recém empossado de Matinhos, Eduardo Dalmoura.

Uma das primeiras ações do novo prefeito foi cancelar todos os alvarás emitidos, irregularmente, pela administração anterior. A medida visa regularizar os serviços ofertados na praia e priorizar a emissão de alvarás aos moradores do Litoral.

APROVAÇÃO – A comerciante Andréa Aparecida da Silva, condena a liberação de alvarás para comerciantes de outros municípios do Paraná. “É uma absurdo ver que comerciantes com poder aquisitivo maior vem a Matinhos durante a temporada, montam quiosques irregulares e, ainda, contratam moradores daqui para trabalhar. A prioridade tem que ser para o nosso povo”, opina Andréa.

Já a comerciante, Ana Paula dos Santos – proprietária de uma lanchonete na beira-mar de Caiobá – considera injusto a emissão de alvarás a preços tão baixos e sem qualquer fiscalização. “Meu pai paga as taxas durante todo o ano, inclusive quando o movimento é fraco. É uma concorrência desigual e que não traz qualquer benefício para a economia local”, declarou.

O veranista Adalberto Scherer, que há 16 anos possui residência na Praia Mansa de Caiobá, disse que a ação estava sendo aguardada há alguns anos. “Para nós esta ação do Governo em parceria com a prefeitura é um espetáculo. Faltava iniciativa municipal e, este ano, a situação piorou muito. A nossa orla foi transformada em uma favela, devido a quantidade de barracas coloridas que aqui se instalaram. Não é justo que enquanto uns pagam suas taxas em dia, outros fiquem na praia de forma irregular”, afirmou Adalberto.

BOX – UM EXEMPLO A SER SEGUIDO

Há cinco anos, Lázaro Oliveira vendia côco na beira da praia de Caiobá, onde trabalhava como ambulante. Quando o Patrimônio da União começou uma operação de retirada dos ambulantes da orla, ele fez um protesto e se acorrentou ao calçadão com o seu carrinho. Hoje ele agradece a ação.

“Foi um estimulo a mais para que eu mudasse de vida. A partir daquele momento eu comecei a trabalhar para ter meu próprio negócio e de maneira regular. Muitas vezes as pessoas precisam de um choque para evoluir e trabalhar de forma ordenada. Foi o início da transformação”, disse.

Em um ano, o comerciante juntou dinheiro, locou um terreno na beira da praia e construiu uma meia Àgua 30 metros quadrados. Ele lembra que dedicou dia e noite de trabalho, encaminhou toda a documentação necessária e evoluiu. Hoje, seu Lázaro é proprietário do restaurante Canoa Quebrada – no mesmo local onde começou – mas, com quase 700 metros quadrados. É um dos estabelecimentos mais freqüentados da orla.

“Já trabalhei da mesma forma e tentei ajudar este pessoal, criando a Associação dos Vendedores Ambulantes. A organização é necessária e ajuda no processo de transformação. Trabalhar na ilegalidade não traz retorno a ninguém. Hoje eu tenho certeza disso”, finalizou seu Lázaro.

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