Liderar e ser liderado


Estar à frente de uma equipe, em qualquer área daatividade humana,           significa, em geral, uma posição de prestígio adquirida pelo valor técnico e moral do líder. Liderar e ser liderado implica em uma relação de confiança que se torna mais fácil, quanto maior é o exercício da equidade, da bondade, da dedicação desinteressada – o que define a vitória sobre as resistências. Não basta uma fisionomia austera, uma voz imperiosa para ganhar uma batalha. Para liderar, acredito, são necessárias pelo menos duas características básicas: uma seria a qualidade de perscrutar os mais íntimos recônditos da própria alma, a fim de conhecer o homens e ter-lhes amor fraterno; outra seria o pertencimento a uma aristocracia espiritual que tem por lema o servir. Servir de forma perseverante e corajosa, com convicção, entusiasmo, caráter e, mais importante, desinteressadamente. O líder, normalmente, tem no servir sua principal disciplina.
Nem tudo, entretanto, são flores no comportamento entre líderes e liderados. Não raro as autoridades enfrentam resistências internas na própria equipe que não conseguem ser superadas por simples ordens. Há que prevalecer o interesse geral da sociedade e um intenso trabalho para que todos da equipe se familiarizem com o projeto para servir uma causa que supera a nós mesmos e merece, portanto, a nossa adesão. Ser líder é muito mais que ser chefe ou exercer o poder pela força financeira ou política. Isto é obediência também: não favorecer os nossos caprichos individuais, como líder ou como liderado.
Enfrentar as resistências é uma tarefa difícil, na qual a bondade, a generosidade, não pode ser utilizada como desculpa para desorganizar um grupo. Cabe ao líder a rudeza para manter a disciplina se necessária, mas principalmente, procurar ressonância no mais profundo daqueles que conduz. Ao liderado cabe perceber que prevalece a coletividade e não o conflito egoísta. O prestígio vem da coragem do indivíduo em apagar-se, tornando-se de forma intensa e visível uma pessoa pública que se eleva pelo próprio serviço. Neste sentido, liderar ou ser liderado, é a mesma coisa, pois ambos dão o mesmo timbre à voz da consciência moral em busca do bem comum.
Delira aquele que pensa que a autoridade pode ser questionada por vozes isoladas. Os problemas da humanidade não são equacionados por simples atendimentos de balcão; são os grandes princípios que fundamentam a nossa sociedade. Assim, de nada adianta ambicionar mais riqueza, mais poder, mais conquistas, mais domínio, sem que a natureza lhe cobre da forma mais inusitada o desequilíbrio gerado pelo egoísmo. Os líderes sabem disso e são moderados em seus desejos, evitando a transformação do homem num estúpido sorvedouro de grandezas materiais. A vida social implica relações de autoridade e de sujeição. E as mesmas regras sociais podem ser trazidas para dentro de uma repartição ou empresa, mesmo que a distância entre o ideal proposto e a sua realização seja complicada. Afinal, os seres humanos são tão desconcertantes e os acontecimentos tão desorientadores. Com o homem não há receitinha de atitude, daí a necessidade ampliar o autoconhecimento e cultivar em si mesmo o sentido da realidade.
Conhecer o sentido da realidade nada mais é que observá-la objetivamente e reconhecer o que ela contém no campo das possibilidades, não confiar nas fórmulas prontas. As soluções pré-fabricadas são típicas daqueles que não se aventuram ou porque não sabem ou porque não conhecem o famoso “precedente” administrativo – pai da rotina que paralisa as energias criativas. Trabalhar com cultura tem a grande vantagem de permitir que façamos essas viagens internas e nos capacite a uma convivência mais saudável, porque despertos em nossa consciência, tendemos a ser verdadeiros e é muito mais fácil lidar com a verdade que com as sutilezas e máscaras da mentira. A agitação do dia a dia nos leva a esquecer a necessidade que temos de voltar continuamente às nossas origens. Arrancamos com entusiasmo, mas não raro, vamos perdendo-nos no automatismo. Para nos perdermos basta fechar os olhos para a totalidade e fixarmos nos detalhes.

Fonte: Kleber Adorno.  http://metendobico.blogspot.com

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