Nayara: Lindemberg dizia que queria matar Eloá Cristina desde o 1º dia

A defensora de Lindemberg, Ana Lúcia Assaf, alegou que ele não está sendo julgado de forma correta  Foto: Diogo Moreira/Futura Press

A defensora de Lindemberg, Ana Lúcia Assaf, alegou que ele não está sendo julgado de forma correta Foto: Diogo Moreira/Futura Press

 

Não podemos transformar Lindemberg em ‘bode expiatório’

VAGNER MAGALHÃES

MARINA NOVAES

Direto de Santo André.

A estudante Nayara Rodrigues da Silva afirmou nesta segunda-feira à juíza Milena Dias, no Fórum de Santo André, que desde o início do cárcere privado que terminou com a morte de sua amiga Eloá Cristina Pimentel, em 2008, o réu Lindemberg Alves Fernandes tinha a intenção de matar a vítima. Durante os cinco dias do cárcere privado, Nayara esteve no apartamento por duas vezes e acompanhou o desfecho do caso.

 

Ela começou a falar às 15h e terminou 38 minutos depois. Nayara pediu para não ficar no mesmo local que Lindemberg e, por isso, o réu não acompanhou o depoimento.

Ela disse que o humor de Lindemberg variava muito, ainda que sem motivo aparente, e que sua amiga foi agredida por diversas vezes nas mais de 100 horas do cárcere privado. “Quando Lindemberg chegou ao apartamento, ele se surpreendeu com a minha presença e a de mais dois amigos na casa de Eloá, onde faríamos um trabalho de escola. Ele rendeu todo mundo e, em determinado momento, disse que a intenção dele era matar a Eloá e sair andando”, disse.

Nayara se manteve calma durante todo o depoimento e, em apenas um momento, parou alguns segundos, aparentemente emocionada. Ela relatou que, no período que conviveu com o casal, ambos tinham uma vida aparentemente normal e que as discussões começaram depois que Eloá terminou o namoro com ele. “Era comum ele afirmar que ia terminar o namoro com ela, mas Lindemberg sempre voltava como se nada tivesse acontecido. Quando ela resolveu terminar, era ele quem não aceitava”, disse.

Dentro do apartamento, Nayara afirmou que em vários momentos temeu pela integridade física da amiga e dela própria. Explicou que depois de deixar o apartamento, voltou ao local a pedido da polícia, para ajudar na negociação pelo fim do cárcere privado. “Fui até a porta e quando cheguei, vi ele com uma arma apontada para a cabeça da Eloá por uma fresta. Não tive outra alternativa a não ser entrar no apartamento. Se eu voltasse, ele poderia atirar contra ela ou contra mim”, afirmou.

Nayara disse que no tempo que ela permaneceu no apartamento ele efetuou pelo menos cinco disparos. Um deles foi com uma espingarda que ele encontrou na casa, por acidente.

A jovem reafirmou que Lindemberg não disparou contra as reféns antes da invasão da polícia e acrescentou que, no momento da explosão da porta, o réu havia recém colocado uma mesa na entrada do apartamento – o móvel atrapalhou a entrada da polícia e teria dado tempo para que Lindemberg efetuasse os disparos.

Nayara afirmu à juíza que depois do fato mudou de escola e teve de fazer tratamento psicológico e psiquiátrico. Baleada na boca, ela perdeu um dente e ainda carece de uma cirurgia para recompor a parte óssea da boca.

O mais longo cárcere de SP
A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.

Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas – Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.

Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.

Eloá Cristina Pimentel

 

Fonte: Terra.

 

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